Os Abençoados

quarta-feira, 20 de março de 2013

Romanos, a epístola dos justificados pela fé

A maior e mais profunda epístola do apóstolo Paulo foi a aos romanos. Destaca-se por seu alto nível doutriná­rio. Na esfera da teologia é a mais significativa obra já pro­duzida. Eminentes mestres da Bíblia têm feito declarações que valorizam ainda mais a obra de Paulo e aguçam o inte­resse do leitor.

Cinco importan­tes doutrinas bíblicas são apresentadas na carta e obede­cem a uma ordem cronológica especial, visto a imperiosa necessidade da igreja em Roma. Alguns problemas de or­dem doutrinária obrigaram Paulo a escrever à igreja, para dirimir dúvidas existentes.


O Autor

A melhor maneira de compreender esta carta é conhe­cer o seu autor. Muitos livros têm sido escritos sobre a vida deste grande homem de Deus. Suposições históricas têm sido levantadas para realçar a nobreza deste grande após­tolo. Entretanto, tudo o que se conheceu acerca de Paulo encontra-se no Novo Testamento.

Paulo era judeu de sangue, da tribo de Benjamim (Rm 11.1), e natural de Tarso, na Cilícia. Em Jerusalém, foi fa­riseu zeloso, tendo como mestre o respeitável Gamaliel (At 22.3; 26.4,5). Era conhecido e respeitado por seu zelo extre­mo da religião judaica. Por essa razão, foi implacável per­seguidor dos cristãos antes de se converter ao cristianismo (At 7.58; 8.1; 9.1; 22.4; Gl 1.13; Fl 3.6; 1 Tm 1.13).

Paulo foi contemporâneo de Jesus em sua vida terres­tre, e certamente conhecia a sua fama entre os judeus. Não foi possível provar até hoje que Paulo tivesse conhecido Je­sus pessoalmente, senão pela fama do seu ministério itinerante na Palestina. Na realidade, Paulo o conheceu verda­deiramente no caminho de Damasco. O Senhor já havia ressuscitado e subido ao Pai, quando o implacável "Saulo de Tarso" preparou-se para mais uma investida cruel con­tra os primeiros crentes. Mas foi detido pela poderosa luz do Rei dos reis, Jesus, o Salvador. Uma transformação imediata e regeneradora aconteceu, e ele converteu-se a Cristo (At 9.1,29; Gl 1.11; 2.1).

Acompanhando seus passos nos Atos dos Apóstolos e, posteriormente em suas cartas, descobrimos em Paulo uma personalidade marcante que muito influiu em seu mi­nistério. Há algo de singular neste gigante da Igreja primi­tiva. Características fascinantes desse grande apóstolo se descobrem em cada uma das suas cartas. Estas caracterís­ticas vislumbram num misto de austeridade e ternura, de severidade e flexibilidade, de intransigência e sensibilida­de. Em suma, observamos na alma de Paulo, a lógica e o sentimento. Os seus ensinos são profundos porque encer­ram verdades profundas. Os seus escritos são cristocêntricos e não divagam em superficialidades. Cristo foi seu as­sunto central nos ensinos e pregações. Sua teologia, pro­funda e racional, destaca um cristianismo moralista e põe como ponto alto a pessoa de Cristo.

Às vezes, o estilo de Paulo parece torná-lo duro e in­tratável no que tange à sua intransigência em assuntos doutrinários. Entretanto, ele cultivava a simpatia pessoal ao lembrar nomes, enviando saudações aos amigos con­quistados no campo missionário.

Na verdade, temos muito que aprender da vida deste grande apóstolo. Com indiscutível segurança e sem qual­quer resquício de vaidade, ele nos convida a sermos seus imitadores (1 Co 4.16) e diz: "o que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, é vistes em mim, isso praticai" (Fl 4.9).


Data e Lugar

Não é difícil estabelecer o lugar e a ocasião em que foi escrita a carta. Paulo fazia a terceira viagem missionária é, quando escreveu a carta, estava na próspera cidade de Corinto, capital da província romana de Acaia, no território da Grécia. Depois de ter passado em Éfeso algum tempo, doutrinando e estabelecendo a igreja ali, Paulo foi a Corinto. Por três meses ficou hospedado na casa do fiel amigo Gaio, possivelmente na primavera de 57 ou 58 d.C. Dese­jando voltar a Jerusalém, por considerar ter terminado seu trabalho no Oriente, levantou ofertas das igrejas gentílicas, para ajudar os crentes perseguidos que passavam pri­vações em Jerusalém (Rm 15.25; 1 Co 16.1-14; 2 Co 8.1 e 9.15).

Com o ardor missionário queimando o seu interior, sua visão evangelística ia mais além - à Espanha. No ca­minho para a Espanha, Roma era escala obrigatória, por isso Paulo aproveitou a oportunidade para escrever esta carta aos crentes em Roma, visto que desejava expor a fé cristã, para dirimir as dificuldades doutrinárias existentes na igreja em Roma, das quais Paulo era sabedor.


O Plano da Carta

Numa seqüência espetacular, o escritor destaca al­guns aspectos principais dentro da sua carta. A doutrina da salvação é apresentada dentro de 4 itens essenciais: o teológico (1.18-5.11), o antropológico (5.12-8.39); o históri­co (9.1-11.36); e o ético (12.1-15.33). Esse plano alcança toda a Carta, e contém verdades incontestáveis e irremovíveis.

1. Na esfera teológica (1.18-5.11), Paulo apresenta a condição perdida dos homens, sem a mínima possibilidade de salvação por méritos próprios, tanto para judeus como para gentios. Logo depois, Cristo é a solução, visto que, por sua morte, todos os pecadores podem ser justificados da pena de condenação. O pecador é justificado mediante a obra expiatória de Cristo Jesus. Esta justificação é efetua­da através da fé confessada em Jesus. É a fé sem as obras da Lei. Esta fé introduz o pecador a uma nova vida de santificação e poder.

2. Na esfera Antropológica (5.12-8.39), a vida toma outra perspectiva. A ilustração do primeiro Adão e do se­gundo Adão, coloca o crente de frente à realidade espiri­tual. O primeiro Adão foi vencido pelo pecado, mas o se­gundo Adão venceu o pecado, e venceu por todos os ho­mens. Um novo regime de vida, orientado pelo Espírito Santo.

3. Na esfera Histórica (9.1-11.36), Paulo destaca a questão da rejeição de Israel ao plano divino. A doutrina da salvação é apresentada de maneira explícita. Havia um grupo de judeus cristãos que, amarrado ainda às exigên­cias da religião judaica, queria impor sobre os gentios con­vertidos os mesmos requisitos da lei mosaica. Entretanto, Paulo apresentou a obra salvadora de Cristo com sentido universal, extensiva a todos os homens.

4. Na esfera Ética (12.1-15.33), Paulo mostra algumas implicações do Evangelho para a vida diária. Responsabi­lidades éticas para com a igreja, a família e a vida material são colocadas em destaque. Não pertencemos ao mundo, mas estamos no mundo (Jo 17.11,16). Paulo procura mobi­lizar os crentes para uma vida de santidade total, para um rendimento incondicional a Cristo. As doutrinas da santificação e do serviço cristão são postas em destaque. Aspec­tos morais da vida cristã são tratados com muita proprie­dade por Paulo, tornando imperativa uma maneira de vi­ver santa e piamente.

A Doutrina do Pecado

A doutrina do pecado é apresentada na Carta aos Ro­manos de modo muito realista e numa perspectiva de sua prática. O pensamento moderno tenta salvar o homem pe­cador oferecendo-lhe educação, religião e filosofia, visando com estes intentos moralistas tornar bom o homem mergu­lhado na lama do pecado. Entretanto, a realidade do peca­do é outra. O homem é pecador e indesculpável diante de Deus. Nesta primeira parte do estudo da Carta aos Roma­nos, Paulo, sob a unção do Espírito Santo, como um medico capaz, diagnostica o mal que condena o homem peca­dor, mas apresenta, também, o remédio divino contra esse mal chamado pecado.

Para que tenhamos uma visão mais ampla sobre esta doutrina precisamos conhecer a essência do pecado confor­me a Bíblia a apresenta. Existem palavras no Antigo e no Novo Testamento que mostram as várias facetas do pecado. As línguas originais da Bíblia, o hebraico e o grego, dão-nos vários significados acerca do pecado. Fundamen­talmente, pecado no hebraico é "chatta'th" e no grego é "hamartia" - palavras que dão a idéia do pecado como "um mal moral", mas que, essencialmente, significam an­tes "errar o alvo". Entende-se, então, que o homem foi criado com um alvo específico, mas ao pecar, perdeu esse alvo.

Portanto, nesta carta, a doutrina do pecado é apresen­tada numa teologia realista em que os aspectos negativos e positivos da Justiça de Deus são colocados de modo prático na vida do pecador.
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A Doutrina da Justificação

Ao estudarmos a Doutrina do Pecado (1.18-3.20) des­cobrimos que ninguém pode ser justificado pela justiça hu­mana. Entretanto, é na doutrina da justificação, no texto de 3.21 a 5.21, que o pecador encontra o caminho da justifi­cação, através da obra expiatória de Cristo. No primeiro estado, o pecador está perdido e sem possibilidade alguma de se justificar diante de Deus. No segundo estado, o peca­dor encontra Cristo que o justifica.

É a partir do capítulo 3.21 que o pecador, judeu ou gentio, encontra um novo caminho através dos méritos de Cristo Jesus. É aqui que ele pode ser perdoado e declarado livre da pena do seu pecado, perante Deus.

Justificação significa absolvição da culpa, cuja pena foi satisfeita. Significa ser declarado livre de toda culpa, tendo cumprido todos os requisitos da lei.

Justificação é um termo forense que denota um ato ju­dicial da administração da lei. Esse ato judicial legaliza a situação do transgressor perante a lei e o torna justo, isto é, livre de toda a condenação.

Cristo assumiu a pena do pecador e foi sentenciado em lugar do pecador. Ele sofreu a pena contra o pecador. Cumprida a pena, o veredicto final da justiça divina é a jus­tificação do pecador. Entende-se então que ser justificado não significa que a justiça tenha sido adiada, ou que ela não tenha sido cumprida. Na verdade, Cristo cumpriu toda a justiça exigida contra o pecador, visto que o pecador não podia pagá-la.

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A Doutrina da Santificação

Antes de começar a explicação textual, é preciso com­preender e comparar dois aspectos da salvação, que são: o aspecto legal e o aspecto ético e moral. No aspecto legal es­tá a justificação, que trata da quitação da pena do pecado. Significa que a exigência da Lei foi cumprida. Porém, no aspecto moral, está a santificação que trata da vivência co­tidiana após a justificação. - Como compreender então a relação entre a justificação e a santificação?

Em primeiro lugar, a santificação trata do nosso estado, assim como a justificação trata da nossa posição em Cristo. Observe isto: Na justificação somos declarados jus­tos. Na santificação nos tornamos justos. A justificação é a obra que Deus faz por nós como pecadores. A santificação diz respeito ao que Deus faz em nós. Pela justificação so­mos colocados numa correta e legal relação com Deus. Na santificação aparecem os frutos dessa relação com Deus. Pela justificação nos é outorgada a segurança. Pela santifi­cação nos é outorgada a confiança na segurança.

Em segundo lugar, a santificação envolve, também, o aspecto posicional. Se na justificação o crente é visto em posição legal por causa do cumprimento da Lei, na santifi­cação o crente é visto em posição moral e espiritual. Posicionalmente, o crente é visto nesses dois aspectos aborda­dos que são; o legal e o moral. Legalmente, ele se torna jus­to pela obra justificadora de Jesus Cristo. Moralmente, ele, se torna santo por obra do Espírito Santo.

Em terceiro lugar, é preciso perceber a distinção entre justificação e santificação. A primeira distinção refere-se à justificação como obra definida e realizada. É obra com­pleta e perfeita porque o "Perfeito Justo" (Jesus) realizou esta obra. Porém a santificação é obra do Espírito Santo. É uma obra progressiva à medida da fé de cada crente. A jus­tificação e a santificação se completam, isto é, estão liga­das no propósito da salvação. Não pode haver santificação sem justificação. Mas, se fosse possível apenas a realização da justificação, qual seria a esperança depois dela? Por isso, a santificação é uma obra indispensável e dinâmica na vida do crente justificado.

Em quarto lugar, no capítulo 6.1-11, veremos o pro­cesso espiritual e dinâmico que se efetiva na vida do peca­dor, partindo da justificação para a santificação. Outrossim, a justificação trata da culpa do pecado, enquanto a santificação se preocupa da libertação do poder do pecado. Mais duas coisas devem chamar a nossa atenção quanto à obra de Cristo por nós. Primeiro, a justificação foi realizada por Cristo sem nós (3.21). Segundo, a santificação é transmitida por Cristo para nós (6.3; 8.1).


A Doutrina da Salvação em Relação a Israel

Ao estudarmos a Doutrina da Salvação obedecendo a certa ordem gradual nos capítulos 1 a 8. Entretanto, os capítulos 9,10 e 11 formam um parêntese dentro da seqüência doutrinária, quando o apóstolo Paulo confronta a "sorte de Israel" no plano da salvação. Alguns teólogos di­zem tratar-se de uma "teodicéia", ou seja, a vindicação de Deus, ou a justificação do seu tratamento com Israel.

Esses capítulos formam uma trilogia especial. O capí­tulo 9 trata da soberania divina para com Israel, focalizan­do a "eleição" da nação israelita como "o povo escolhido de Deus" e gira em torno do passado. O capítulo 10 trata da responsabilidade humana de Israel e focaliza a sua re­jeição no presente. O capítulo 11 apresenta a bênção salva­dora para Israel, como resultado da misericórdia de Deus.

Nos três capítulos em estudo notaremos que, no capí­tulo 9, as promessas de Deus são para os fiéis, mediante a fé nele, e não a conformidade exterior à Lei. No capítulo 10, Paulo destaca que é impossível escapar ao fato da culpa do pecado. Portanto, recusar a obra expiatória de Jesus é transgressão total e indesculpável. No capítulo 11, a sal­vação provida por Deus através de Jesus, seu Filho é privi­légio de judeus e gentios.

Extraido da Revista Betel, 2006, Epístolas às igrejas de Cristo

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